AGORA

AGORA nasceu de um estranhamento silencioso. Ao ver uma lua linda, plena, em meio à luz do dia, pensei: aquela não era a hora dela estar ali. O poema surge desse deslocamento — quando algo belo aparece fora do tempo esperado e nos obriga a repensar o agora, o ritmo da vida e a ordem das coisas.
Uma lua distraída insiste em esquecer a aurora e permanece após amanhecer , desconhecendo a hora . Uma lua teimosa insiste em esquecer o dia e nasce luminosa antes do crepúsculo do dia que se demora . A vida insiste em esquecer a morte e teimosa , distraída , atira-se suicida para o nada do céu afora e perde a hora única de ser vivida : que é agora .
Declamação
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