COMPANHEIRO

COMPANHEIRO é um poema sobre presença e ausência. Sobre um homem que passou alguns dias ao lado do mar — ouvindo suas ondas, respirando seu sal, caminhando em silêncio. Mas chega o momento da partida. O carro segue estrada adentro, o litoral fica para trás… E o mar, que parecia tão íntimo, não o acompanha na viagem de volta. Fica apenas a lembrança — como uma concha guardada no bolso — e a certeza de que algumas companhias são eternas apenas enquanto estamos diante delas.
Com passos vacilantes abandono as águas. Com olhos tristes admiro as últimas gaivotas. E o mar me acompanha na saída. Com ouvidos atentos ouço as derradeiras ondas espumantes. Com a pele sensível piso a areia quente e macia. E o mar me acompanha na saída. Com a boca amarga afasto-me da serra. Com o coração angustiado deixo o litoral. Mas o mar não me acompanha na despedida.
Declamação
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