Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Água Viva

Poema

PAINEIRA

Ilustração — PAINEIRA

PAINEIRA é um poema que acompanha as estações da vida através de uma árvore. No outono, ela chora pétalas com medo do inverno que se aproxima. No inverno, despida e branca, cobre-se de algodão e aguarda. Na primavera, renasce verde e viçosa, celebrando a vida numa missa de ação de graças. No verão, cala — e nesse silêncio, transporta o poeta no tempo e se torna companhia silenciosa de sua solidão.

Nas manhãs de outono
a paineira verde e rosa
parece que "in eterno"
chora pétalas
com medo do inverno
que se aproxima.

Nas manhãs do inverno
a paineira nua e branca
com aspecto moderno
cobre-se de algodão
e o espectro terno
aguarda a primavera.

Nas manhãs de primavera
a paineira nova e verde
renasce e viça,
veste-se de gala
e recomeça a campal missa
de ação de graças pela vida.

Nas manhãs de verão
a paineira cala
exala paz
transporta-me no tempo
ocupa todo o espaço
e acompanha minha solidão.

Declamação

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