Prefácio
Este cordel foi escrito por Antonio Carlos Tórtoro para o bicentenário do enforcamento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1792–1992). Conquistou o 2º lugar no I Concurso Nacional de Literatura de Cordel, em homenagem ao herói da Inconfidência Mineira.
Fiel à tradição do verso de bancada, o poema é construído em setilhas — estrofes de sete versos em redondilha, a métrica cantada do cordel. O assunto, porém, é mineiro: a conjuração de Vila Rica, o sonho de Independência e a derrama que sufocava a Colônia.
A obra abre com uma hipótese — "a história da Independência poderia ser assim" — e imagina, por algumas estrofes, uma revolução vitoriosa. Logo a fantasia se desfaz e dá lugar à história real: a delação de Joaquim Silvério dos Reis, as prisões, os interrogatórios e a confissão em que o alferes assume sozinho toda a culpa para salvar os companheiros.
Do tropeiro desiludido que virou alferes ao retrato pintado por Pedro Américo, Tórtoro percorre a vida e a morte do mártir sem perder o tom popular. O que sobra, ao final, é a permanência: os pensamentos rebeldes e os desejos de liberdade que o patíbulo não conseguiu calar.
Abaixo, o cordel na íntegra, acompanhado de sua versão musicada.