NOME EM VÃO

NOME EM VÃO nasceu como denúncia. É um poema que confronta a hipocrisia de seres humanos que se colocam como “o caminho, a verdade e a vida”, mas cujas atitudes revelam o oposto. Ao se apropriarem do sagrado para legitimar vaidades e poderes, transformam fé em instrumento e o nome divino em discurso vazio. O poema expõe essas posturas como encarnações de blasfêmia e heresia, lembrando que o verdadeiro sagrado se reconhece mais nos atos do que nas palavras.
Firo com gestos meu irmão e posto-me em oração das seis às sete. Agrido o semelhante, depois adoço a voz em sermão emocionante. Não respeito o próximo que magoei... e arvoro-me em defensor da Lei. Desconheço boas maneiras, mas diante dos incautos transformo joio em fictícias videiras. O humilde ofendo em falas horrorosas e diante do Cristo envolvo os espinhos em falsas rosas. Não sei o que é perdão, mas insensível... tomo do Vinho e do Pão. Envolto em hipocrisia, sinto-me o Caminho, a Verdade e a Vida... Mas não passo de encarnação de blasfêmia e heresia.
Declamação
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