Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Estrelas no Mar

Poema

VESTES

Ilustração — VESTES

VESTES nasceu do gesto ancestral do lamento. É a expressão do desejo de rasgar as próprias vestes e cobrir a cabeça de cinzas diante dos sofrimentos da vida, submerso na escuridão e na dor. Mas o poema não permanece no abismo: nele, quando tudo parece perdido, Deus intervém e me reveste com sua misericórdia. VESTES é a travessia da aflição para o amparo, da nudez da alma ao cuidado divino.

Rasgo minhas vestes...
Ante a perda
da consciência do real.
Busco atrás do vídeo a vida,
mas só encontro desertos...
e pestes.

Rasgo minhas vestes...
Rasgo minhas vestes.

Rasgo minhas vestes...
Perante a importância
de um Deus exterior.
Não encontro no escuro
a luz perdida...
E no túnel do fim,
só o pavor.

Rasgo minhas vestes
diante o nada
do não-ser em extinção!
Cubro de cinzas a cabeça...
Mergulho alma e olhos
na escuridão...

E então...
Ele me reveste.
Ele me reveste.

Declamação

Vídeo

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