Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Poemas Matemáticos e Sensuais

Prefácio

Prefácio

Antonio Carlos Tórtoro é, antes de tudo, matemático — e talvez justamente por isso seja poeta. Educador por vocação, membro de academias literárias, ele construiu uma obra que atravessa décadas tirando ouro do cotidiano, do mar e das pequenas coisas. Cada um de seus livros — "Ecos", "Edelweiss", "Estrelas no Mar", "Mosaico" — explora um território próprio. Este "Poemas Matemáticos e Sensuais" abre o último que ainda não tinha sido lavrado: o da ciência onde o autor passou a vida ensinando.

A premissa, à primeira vista, soa como contradição. O rigor seco da matemática e a fluidez do desejo parecem dividir polos opostos. Mas, lidos os vinte e um poemas desta coletânea, o que parecia oposição revela parentesco: o triângulo equilátero esconde um incentro que os amantes também procuram; a biunicidade entre os pontos da reta e os números reais ecoa o pacto silencioso entre duas vidas; a potenciação, em "Base", é a forma com que iguais e desiguais constroem amor e civilização.

O livro percorre um pequeno currículo escolar: "Ângulos", "Círculos", "Corda", "Eixos", "Frações", "Lógica", "MDC", "Pitágoras", "Tales", "Triângulos". Mas a aula é outra. Aqui o que está em jogo não é a fórmula; é o que a fórmula deixa fora — o lirismo de quem olha o mundo pelas equações, e o erotismo discreto e firme que dá título ao volume. Tórtoro toma a sala de aula e a vira metáfora: o vértice é encontro; a bissetriz, juízo; a corda, abraço; a raiz, princípio.

Há, nesta coletânea, uma síntese do projeto poético do autor — o mesmo que mediu o mar em "Estrelas no Mar" e arrumou o cotidiano em "Mosaico". A diferença é que, aqui, o lirismo é gestado no território onde Tórtoro melhor se expressa em prosa: o da ciência exata. O resultado tem leveza incomum: poemas curtos, rítmicos, de leitura simples, com uma camada secundária de significado que premia quem volta. Quem leva números a sério encontrará a beleza dos números; quem nunca os levou a sério encontrará, em cada um deles, uma porta para um afeto.

Esta edição digital reúne os vinte e um poemas com trilha musical original, declamação do próprio autor e ilustração. Um "Poemas Matemáticos e Sensuais" que se vê, se ouve e se lê — talvez seja essa, no fim das contas, a maior prova de que o rigor pode ser sensível: que ele cabe nos cinco sentidos, sem perder uma vírgula da sua exatidão.

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