Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Água Viva

Poema

ATAÚDE DE NATAL

Ilustração — ATAÚDE DE NATAL

ATAÚDE DE NATAL nasceu no Dia de Reis, no instante silencioso em que a árvore é desmontada. Entre bolas, luzes e lembranças, surgiu um sentimento duplo: a tristeza de guardar o que brilhou e a alegria serena de saber que tudo renascerá no próximo ano. Este poema é esse intervalo — um Natal que não acaba, apenas repousa.

Primeiro o ponteiro dourado
o último a ter sido colocado
num ritual
anual e fantástico.

Como dias retirados de uma vida,
galho por galho
o verde plástico recobre a mesa
pontilhado de esferas
metálicas e coloridas.

A seguir o tronco
parte-se em pedaços
desencaixados entre si
e do pé,
o primeiro a ter sido montado.

Por fim um caixote
ataúde de papelão,
acolhe peça por peça
os brilhos, fios, luzes
que compuseram por dias
os momentos mágicos
de sonho, esperanças e alegrias,
de um símbolo místico tradicional:
Uma Árvore de Natal!!!

Declamação

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