PETISCO

Neste poema, PETISCO, eu convido você a olhar para um instante simples: alguém num bar, saboreando um pequeno petisco. Um gesto corriqueiro, quase invisível… mas absolutamente único no Universo. Porque aquele petisco, naquele bar, daquela forma, nunca mais se repetirá. Assim como certos momentos da vida — e até certas vidas — que passam discretas, sem alarde, mas carregadas de sentido. PETISCO é sobre perceber o extraordinário escondido no banal… antes que ele passe.
Belisco um pedaço da porção de calabresa e surpresa... Vislumbro a solidão do gesto. Não há no mundo outro bar idêntico àquele, não há outra porção idêntica àquela. Não há outro eu em todo o universo beliscando aquele pedaço, naquele momento, naquele lugar. Nem mesmo eu posso repetir o ato, único na existência do Cosmos. Entorpecido suspendo o próximo gesto no ar que de tão aparentemente simples, de tão surpreendentemente comum, voltará com certeza, após o laivo de lucidez, a passar desapercebido, como a vida.
Declamação
Vídeo