Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Água Viva

Poema

PETISCO

Ilustração — PETISCO

Neste poema, PETISCO, eu convido você a olhar para um instante simples: alguém num bar, saboreando um pequeno petisco. Um gesto corriqueiro, quase invisível… mas absolutamente único no Universo. Porque aquele petisco, naquele bar, daquela forma, nunca mais se repetirá. Assim como certos momentos da vida — e até certas vidas — que passam discretas, sem alarde, mas carregadas de sentido. PETISCO é sobre perceber o extraordinário escondido no banal… antes que ele passe.

Belisco um pedaço
da porção de calabresa
e surpresa...

Vislumbro a solidão
do gesto.
Não há no mundo
outro bar idêntico àquele,
não há outra porção
idêntica àquela.

Não há outro eu
em todo o universo
beliscando aquele pedaço,
naquele momento,
naquele lugar.

Nem mesmo eu
posso repetir o ato,
único na existência
do Cosmos.

Entorpecido
suspendo o próximo gesto no ar
que de tão aparentemente simples,
de tão surpreendentemente comum,
voltará com certeza,
após o laivo de lucidez,
a passar desapercebido,
como a vida.

Declamação

Vídeo

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