FÉRETRO

FÉRETRO é um poema que transforma uma cena cotidiana da praia em rito e metáfora. O barco que retorna da pescaria, abarrotado de peixes mortos, torna-se um féretro que encalha na areia diante do olhar das pessoas. Gaivotas sobrevoam como sentinelas do fim, enquanto a vida humana observa, negocia, consome. Entre o mar, o sangue e o silêncio, o poema convida o espectador a enxergar a morte não como espetáculo, mas como espelho.
Primeiro o assédio das gaivotas até próximo do litoral . Depois o pessoal da praia , em desordenada e alegre procissão seguindo o féretro de cações e tubarões , corvinas e redondos , salteiras e martelos corroídos por sirís . O burburinho é forte e o corte das barrigadas atrai com seus odores varejeiras para as víceras , escamas , sangue e suor dos pescadores . A barraca é referência por instante apenas . Enfim o Paraná descansa . No colo a rede enfeitada de conchas . O ronco das ondas no ar . O último couro é arrancado do tubarão . Silenciam facas e facão . E João pescador desaparece na Avenida do Mar .
Declamação
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