ESPONSAIS

ESPONSAIS é um poema sobre o instante sagrado da criação. Uma abelha pousa na flor de maracujá e, nesse gesto simples e silencioso, revela-se a mão de Deus agindo no mundo. O toque da vida fecunda a flor, o invisível se torna fruto, e o maracujá nasce como celebração do encontro entre natureza e divindade. Um poema onde o amor cria, une e transforma — como verdadeiros esponsais entre o céu e a terra.
Transitória a flor de maracujá espera. Antera à mostra, no ápice de rígidos estames esconde o pólem, distante longos milímetros do gineceu. Transitando a mamangaba não espera. Como fera acaba em segundos mergulhada no cálice e na abóbada do perianto, onde realiza os esponsais sem ais. Transcendente a natureza espera. Mera rotina continua e atua como mão de Deus no ato da criação do fruto. Num único minuto, página capitular de um gênese, composto em versos de abelha social no ato puramente erótico de dançar.
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