Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Ecos

Poema

OLHOS-DE-CAO

Ilustração — OLHOS-DE-CAO

“Olhos de Cão” é um convite à contemplação de um dos vínculos mais puros que existem: a amizade entre o homem e seu cão. Neste poema, o olhar do animal deixa de ser apenas instinto e se transforma em universo — janelas galácticas que revelam alma, afeto e eternidade. Entre imagens cósmicas e sentimentos profundos, o poema nos conduz a refletir sobre lealdade, criação e amor incondicional — esse elo silencioso que, talvez, atravesse até o próprio paraíso. Uma homenagem sensível a quem, sem palavras, fala direto ao coração.

Nos olhos do meu cão
Duas estrelas
Nem Prócion nem Sírio
Só janelas... galácticas
Aberturas que revelam alma
Que acalma e faz pensar...
Nem a Sudeste de Orion
Ou este de qualquer Constelação
Meu cão não é menor
E nem maior
É amigo que fica ao meu lado
Que late ao coração.
A cauda balança conceitos
E um respeito existe entre nós...
Criatura ímpar de Deus
De foz a fora a afetividade
Permuta com os filhos meus.
O único ser que cruzou a fenda
Diz a lenda, após a expulsão,
Que do paraíso separou a Eva
Acompanhada de Adão,
Meu cão é um elo que existe
Comigo desde a Criação.
E o Criador Supremo
Que permitiu esta união
Se num dia de "onicansaço"
Acabasse com sua Produção
Para não ficar sozinho
Guardaria para si... onisciente
Um CÃO.

Declamação

Vídeo

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