Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Ecos

Poema

PRESSA

Ilustração — PRESSA

Para que tanta pressa? Vivemos correndo atrás do tempo, como se pudéssemos controlá-lo. Neste poema, o poeta convida o leitor a uma profunda reflexão sobre os limites da condição humana, a sabedoria da natureza e a necessidade de reencontrar o silêncio interior. Uma mensagem sensível que nos lembra que a verdadeira paz talvez comece justamente quando aprendemos a desacelerar. https://www.youtube.com/watch?v=wU8TjWeFwgc

Para que pressa...

Se não posso aumentar em um segundo

o tempo do meu dia.

Se não posso alterar em um grau

o calor normal do sol.

Se não posso iluminar um lúmen só

o brilho da lua.

Se não posso afinar de um pássaro

seu canto aprendido na natureza.

Se não posso percorrer do rio

o percurso de milhões de anos.

Se não posso ao uivar do vento

acrescentar um sopro.

Se não posso das ondas do mar

modificar o fluxo.

Se não posso ao espermatozoide

indicar o óvulo.

Para que pressa?

Para que pressa?

Se não posso impedir minha morte

ou ao menos adiar seu dia.

Se não posso revelar à abelha

o pólen das flores.

Se não posso ao meu coração

ensinar novos amores.

Se não posso na minha inquieta alma

implantar silêncio.

Se não posso, ao conseguir silêncio,

encontrar a paz.

Se não posso, envolvido em paz,

perder a pressa.

E ver impressa na sábia consciência

a advertência...

Para que pressa?

Para que pressa?

Declamação

Vídeo

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