PRESSA

Para que tanta pressa? Vivemos correndo atrás do tempo, como se pudéssemos controlá-lo. Neste poema, o poeta convida o leitor a uma profunda reflexão sobre os limites da condição humana, a sabedoria da natureza e a necessidade de reencontrar o silêncio interior. Uma mensagem sensível que nos lembra que a verdadeira paz talvez comece justamente quando aprendemos a desacelerar. https://www.youtube.com/watch?v=wU8TjWeFwgc
Para que pressa... Se não posso aumentar em um segundo o tempo do meu dia. Se não posso alterar em um grau o calor normal do sol. Se não posso iluminar um lúmen só o brilho da lua. Se não posso afinar de um pássaro seu canto aprendido na natureza. Se não posso percorrer do rio o percurso de milhões de anos. Se não posso ao uivar do vento acrescentar um sopro. Se não posso das ondas do mar modificar o fluxo. Se não posso ao espermatozoide indicar o óvulo. Para que pressa? Para que pressa? Se não posso impedir minha morte ou ao menos adiar seu dia. Se não posso revelar à abelha o pólen das flores. Se não posso ao meu coração ensinar novos amores. Se não posso na minha inquieta alma implantar silêncio. Se não posso, ao conseguir silêncio, encontrar a paz. Se não posso, envolvido em paz, perder a pressa. E ver impressa na sábia consciência a advertência... Para que pressa? Para que pressa?
Declamação
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