PRIMAVERA

PRIMAVERA é um poema sobre a esperança que floresce quando a vida reencontra sua beleza. Por meio de imagens da natureza, o texto mostra que a verdadeira primavera não é apenas uma estação do ano, mas um estado da alma: ela nasce onde há amor, fé, alegria e inspiração. Quando esses elementos desaparecem, até o Universo parece perder suas cores. Uma reflexão poética sobre os ciclos da existência e a certeza de que, mesmo após o inverno, a primavera sempre pode renascer.
Se cinzentas nuvens cobrem o céu E um véu de tristeza infesta o ar, Podem reparar... não resta incerteza: Sem beleza... não é a primavera. Se a flor no arbusto não surgiu E não se viu a abelha a rodear, Pode apostar... eu apostaria: O novo dia... não é de primavera. Se o arco-íris não pousou no horizonte, Na água da fonte não refletiu sete cores, Pois, sem pudores, podemos afirmar: Neste lugar... não chegou a primavera. Se não gorjeiam pássaros entre as flores E, encolhidinhos, escondem a plumagem, Tome coragem... grite bem alto ao vento: Este momento... não é de primavera. Se as borboletas não cruzam os jardins, Os confins dos bosques não se tingem de aquarelas, Como sequelas, o bom senso já prediz: Infelizmente... não chegou a primavera. Se os casais não se beijam, Não se desejam em arroubos de paixão, Toda razão tem aquele que porfia Que aquele dia de primavera é não. Se uma reza ou petição de um milagre Agre humor deixa em fiel não atendido Comprometido é arriscar, afirmativamente, Que na ativa está o Deus... sem primavera. Sem primavera, o Universo é diferente; É como gente que perdeu a inspiração. A primavera é estação de alegria, É harmonia entre o inverno e o verão.
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