Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Edelweiss

Poema

EXTREMA MENTE

Ilustração — EXTREMA MENTE

O poema “EXTREMA MENTE” nos conduz por uma experiência intensa que oscila entre o fascínio e o medo, o humano e o divino. A partir da metáfora do voo, o eu poético atravessa diferentes estados de consciência — da contemplação serena da noite estrelada à angústia da turbulência, revelando a fragilidade da vida diante do desconhecido. Entre o concreto e o transcendental, o avião torna-se mais do que máquina: transforma-se em símbolo da própria mente em seus extremos — capaz de alcançar o sublime e, ao mesmo tempo, confrontar o abismo. Ao sobrevoar o Rio e sentir a presença do Redentor, o poema toca o sagrado, sugerindo que, mesmo em meio ao medo, há uma força que acolhe e sustenta.

Extremamente,
lindo e assustador
é flutuar raras jóias
dispostas em negro veludo
da noite.
Extremamente,
calmo e tranquilizador
é sentar-se em triplas poltronas
dispostas confortavelmente, lado a lado,
do 747.
Extremamente,
só e desesperador
é sentir a turbulência
com a respiração em busca
da vida.
Extremamente,
Divino e Cósmico
é voar sobre o Rio
e no pouso, sentir a mão
do Redentor.
Extremamente,
infinito e inefável
é ser um pássaro noturno
com corpo de aço e o olhar
de Deus...
a Extrema Mente.

Declamação

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