LADAINHA

O poema “LADAINHA” nos conduz a um delicado ritual cotidiano, onde a vida escolar desperta lentamente entre sombras e primeiras luzes. Das imagens silenciosas da madrugada — corujas, morcegos e mistérios — até o pulsar vibrante da manhã, o texto revela a transição do mundo íntimo para o coletivo. Entre gestos simples e profundamente simbólicos — o jardineiro, o porteiro, o primeiro aluno — constrói-se uma liturgia diária que se repete ao longo das décadas, como uma verdadeira ladainha da educação. Sob a sombra das mangueiras e ao som dos “bons dias”, a escola se apresenta como espaço de encontro, comunhão e formação. Mais do que retratar uma rotina, “LADAINHA” é uma homenagem sensível à vida que nasce todos os dias no ambiente escolar — um despertar discreto, mas cheio de esperança, movimento e significado.
Na escuridão um vulto, um véu no caramanchão. Na silhueta de Úrsula o pouso da coruja e rasante d’último morcego. Já na tênue luminosidade matinal água e amor do jardineiro, e porteiro se abrindo ao sinal da campainha. O primeiro aluno de centenas percorre galerias e desaparece. Após missa, a ladainha que repete décadas à sombra de mangueiras pouso de pombas, rolas e pardais, sinais de vida em comunhão. Bons dias de carrinhos e lancheiras, sorrisos de livros e materiais, chegada de jornais. Incrível movimentação, orgia pedagógica e cultural ruído de jato que decola entre concretos. Discreto despertar de vida, de esperança, de escola.
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