Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Edelweiss

Poema

LADAINHA

Ilustração — LADAINHA

O poema “LADAINHA” nos conduz a um delicado ritual cotidiano, onde a vida escolar desperta lentamente entre sombras e primeiras luzes. Das imagens silenciosas da madrugada — corujas, morcegos e mistérios — até o pulsar vibrante da manhã, o texto revela a transição do mundo íntimo para o coletivo. Entre gestos simples e profundamente simbólicos — o jardineiro, o porteiro, o primeiro aluno — constrói-se uma liturgia diária que se repete ao longo das décadas, como uma verdadeira ladainha da educação. Sob a sombra das mangueiras e ao som dos “bons dias”, a escola se apresenta como espaço de encontro, comunhão e formação. Mais do que retratar uma rotina, “LADAINHA” é uma homenagem sensível à vida que nasce todos os dias no ambiente escolar — um despertar discreto, mas cheio de esperança, movimento e significado.

Na escuridão
um vulto,
um véu no caramanchão.
Na silhueta de Úrsula
o pouso da coruja
e rasante d’último morcego.
Já na tênue luminosidade matinal
água e amor do jardineiro,
e porteiro se abrindo ao sinal
da campainha.
O primeiro aluno de centenas
percorre galerias
e desaparece.
Após missa, a ladainha
que repete décadas
à sombra de mangueiras
pouso de pombas, rolas e pardais,
sinais de vida em comunhão.
Bons dias de carrinhos e lancheiras,
sorrisos de livros e materiais,
chegada de jornais.
Incrível movimentação,
orgia pedagógica e cultural
ruído de jato que decola
entre concretos.
Discreto despertar de vida,
de esperança,
de escola.

Declamação

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