Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Edelweiss

Poema

INSEGURANÇA

Ilustração — INSEGURANÇA

O poema “INSEGURANÇA” nos conduz por um território intenso e delicado da existência humana — aquele em que corpo e alma se encontram expostos, como no fio de uma navalha. Em imagens fortes e simbólicas, o texto revela a inquietação do ser diante do desconhecido, evocando referências que transitam entre o mítico, o espiritual e o histórico. Entre a urgência do instinto e a busca por sentido, o poema nos coloca diante de escolhas, riscos e da aparente ausência de solução. No entanto, em meio à desesperança, surge uma possibilidade transformadora: a certeza de que há um movimento interior capaz de ressignificar o real. Mais do que retratar a insegurança, o poema aponta um caminho — um retorno ao essencial, onde o homem reencontra a Luz, a Vida e o Amor, transcendendo as dualidades e aproximando-se de uma dimensão mais elevada da existência.

No fio da navalha
a carne do corpo inteiro
e da alma,
num rasgo de insegurança.
O instinto clama em mantras
por um cão de Atenas
em cada Capital ou chakra
e implora o ritual da busca
antes que todos estejamos
num tonel,
ou com nossas mãos de Cleópatra
no mesmo cesto de serpentes,
sem solução.
Na desesperança
é cruel pensar
que há uma hora e lugar
para cada desafio ou teste
mesmo sabendo inconteste
que haverá hora e lugar
para cada manifestação sublime
que emanará do âmago
e modificará o real,
fazendo enfim, voltar-se o homem
como solução,
para a Luz
a Vida
e o Amor,
já muito além do bem e do mal.

Declamação

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