LESMA

O poema “LESMA” nos conduz a uma reflexão sensível e profunda sobre a experiência do tempo quando atravessado pela saudade. Em imagens marcantes, o tempo deixa de ser linear e passa a se arrastar, hesitar e até estagnar, revelando o peso emocional da ausência. A metáfora da lesma traduz com precisão essa lentidão viscosa e insistente, enquanto referências como a Sapucaí e o carnaval contrastam movimento e imobilidade — como se a vida lá fora seguisse em ritmo intenso, enquanto o interior permanece preso ao vazio. Mais do que falar da distância, o poema expõe o turbilhão do pensamento que insiste em ir e voltar, transformando o isolamento em um espaço de inquietação. “LESMA” é, assim, um retrato poético da saudade que dilata o tempo e nos obriga a sentir, com profundidade, cada instante que não passa.
Como se arrasta o tempo quando carrega a saudade... Caminha um passo à frente retorna dois, três atrás. Como estaciona o tempo na ausência da família... O ponteiro anti-horário persiste em não trabalhar. Lesma pegajosa e frio momento pesada alegoria na Sapucaí que se recusa a sair no carnaval da ânsia. A hora que não passa é vendaval que joga o pensamento lá e aqui em orgia transformando o isolamento da distância.
Declamação
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