Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Edelweiss

Poema

SANTÍSSIMO

Ilustração — SANTÍSSIMO

O poema “SANTÍSSIMO” nos conduz a uma profunda experiência de fé, contemplação e humanidade. A partir da simbólica luz da lâmpada do Santíssimo, o eu poético percorre momentos centrais da espiritualidade cristã — do Calvário à ressurreição, de Pentecostes a Emaús — revelando não apenas a grandeza do divino, mas também a fragilidade humana diante do sagrado. Entre a inveja de quem testemunhou mais de perto o milagre e a ausência sentida na espera da Luz, o poema traduz o anseio de proximidade com Deus. Ainda assim, ao final, permanece a condição humana: seguir adiante, carregando a própria cruz. Mais do que um relato espiritual, “SANTÍSSIMO” é um convite à reflexão sobre fé, presença e caminhada interior.

A lâmpada do Santíssimo
recebeu-nos no Domingo
e um pingo de inveja tocou-me
ao pensar em Madalena.
A cena do Cristo redivivo
após morte no Calvário,
deve ter sido tão forte
que sorte alguma a supera.
A espera de dois dias
sem a presença da Luz
foi como não ter a alma
e a calma que a Paz conduz.
Foi incômodo inefável
mesmo estando Ele vivo,
foi sentir-se um cordeiro
sem o pastor que o guie.
A lâmpada do Santíssimo
conduziu-me a Pentecostes,
a Luz Que Nunca Se Apaga
transportou-me a Emaús...
Mas continuo um homem
carregando a própria cruz.

Declamação

Vídeo

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