DEDO NA TERRA

O poema “DEDO NA TERRA” nos conduz a uma das cenas mais enigmáticas do Evangelho: o instante em que Cristo escreve no chão diante da mulher adúltera. A partir desse gesto silencioso, o texto mergulha em uma profunda reflexão sobre o mistério divino e os limites da compreensão humana. Entre hipóteses — leis, símbolos, números ou palavras de perdão — o eu poético revela mais perguntas do que respostas, convidando o leitor a habitar esse espaço de dúvida e contemplação. O que importa, talvez, não seja o que foi escrito, mas o significado do próprio gesto: um ato que transcende a lógica e aponta para uma verdade que não se deixa aprisionar em palavras. Mais do que buscar respostas, “DEDO NA TERRA” é um convite à humildade diante do sagrado — à aceitação de que há mistérios que não se explicam, apenas se vivem.
João descreveu a cena da adúltera com Cristo mas escondeu um segredo que seu Evangelho encerra... O que um Deus com o dedo escreveria na terra? Nomes, datas ou fatos algum incrível relato, especial lei romana? Um número cabalístico ou pensamento místico? Elucubração humana? Um versículo do Levítico, (algum comentário crítico) capítulo do Deuteronômio, binômio escrito na areia que o homem cumpre jamais? E a pergunta se repete... Seria a palavra perdão ou uma frase de amor? Um peixe estilizado, uma simples previsão ou setenta vezes o sete? Seriam fórmulas Cósmicas; Universais orações? Poderia o Filho de Deus pôr-se a fazer rabiscos fugindo às tentações? Não, não e não. A resposta é sempre não. Alguma coisa perdeu-se no chão do Templo judaico coberto por pedras depostas, pelas mãos acusadoras, que em mim atiraram dores da pergunta sem resposta... O que um Deus com o dedo escreveria na terra?
Declamação
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