BUSCA

BUSCA nasceu de um instante de silêncio diante do mar. Ao observar o ir e vir das ondas, reconheci nelas o movimento dos meus próprios pensamentos — avançando, recuando, insistindo. O poema é essa reflexão contínua, esse mergulho no meu eterno buscar interior, onde cada onda revela uma pergunta e cada retorno traz um pouco mais de consciência. BUSCA é o mar como espelho da alma.
Busca... Onda que vai e vem... No vem e vai de outras ondas. Onda que vai e vem... No vem e vai de outras ondas. Não sei mais o que procuro, mas procuro algo em mim. Por onda grande ou pequena que em espumas se esvai. Onda da esquerda ou direita, estreita ou larga demais. Onda bem alta ou baixa que vem de frente ou de trás. Onda que quebra na praia... Ou que não quebrará jamais. Onda que vai e vem... No vem e vai de outras ondas. E no harmônico compasso sei que alguém vibra por mim. Em onda rival que se cruza com ondas mais teatrais. Onda que deita e rola ou marolas que a rocha desfaz. Onda interposta ou paralela, ou como aquela que nunca se viu. Onda intercalada ou sutil, veloz ou quase parando. Onda ondulando lago... que mar calmo esculpiu. Veloz ou quase parando... Onda ondulando lago. Onda que vai e vem no vem e vai de outras ondas. Onda que não tem fim... No eterno buscar de mim.
Declamação
Vídeo