CABEÇA

CABEÇA nasceu de uma reflexão sobre a expressão popular “ter a cabeça feita”. No poema, essa ideia ganha corpo na figura de um pintor que só reconhece o quanto a amada lhe moldou o pensamento depois de retratá-la em uma tela. Ao pintá-la, ele percebe que não foi apenas a imagem que criou, mas também a própria consciência. CABEÇA fala desse instante revelador em que a arte expõe o quanto alguém já nos habita por dentro.
Tomou da tela... E destacou o fundo azul, Onde manchou o branco Da alva pele. A seguir, dois olhos verdes... E a boca rubra, Beijou com o pincel. Beijou com o pincel. Deitou a noite! Em forma de cabelos. E respirou paixão... Por nariz arrebitado Da mulher perfeita. Deitou a noite em forma de cabelos, Respirou paixão... Por aquela mulher perfeita. Só então percebeu... Que tinha a cabeça feita. Só então percebeu... Que tinha a cabeça feita!
Declamação
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