Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Estrelas no Mar

Poema

NÁUSEA

Ilustração — NÁUSEA

NÁUSEA nasceu da percepção crua e afetiva da vida. No poema, a existência é comparada a uma criança imprevisível: às vezes nos beija com ternura, outras vezes nos vomita no rosto, sem aviso. Entre carinho e desconforto, seguimos caminhando, aprendendo que viver é aceitar essa ambiguidade profunda — o amor e o mal-estar, o afeto e a repulsa. NÁUSEA fala dessa convivência inevitável com o excesso da vida.

Nos braços levo a vida,
criança ainda,
em longa empreitada.
E em algumas idas e vindas
quando a encaro com medo...

Aos vômitos ela me recebe!
E lava-me as faces estranhas
com o líquido grosso e azedo,
pelo passado depositado
em suas entranhas.

Ato contínuo,
longamente nos fitamos
com atônitos olhares,
e ela a seguir beija-me encantada,
com ternura nunca vista,
a testa vomitada.

Idas e vindas continuarão.
Na descoberta final
no rosto mostrarei à vida,
criança ainda...

As rugas encobertas
por tantos vômitos
e beijos,
em vão...
Durante a caminhada.

Declamação

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