NÁUSEA

NÁUSEA nasceu da percepção crua e afetiva da vida. No poema, a existência é comparada a uma criança imprevisível: às vezes nos beija com ternura, outras vezes nos vomita no rosto, sem aviso. Entre carinho e desconforto, seguimos caminhando, aprendendo que viver é aceitar essa ambiguidade profunda — o amor e o mal-estar, o afeto e a repulsa. NÁUSEA fala dessa convivência inevitável com o excesso da vida.
Nos braços levo a vida, criança ainda, em longa empreitada. E em algumas idas e vindas quando a encaro com medo... Aos vômitos ela me recebe! E lava-me as faces estranhas com o líquido grosso e azedo, pelo passado depositado em suas entranhas. Ato contínuo, longamente nos fitamos com atônitos olhares, e ela a seguir beija-me encantada, com ternura nunca vista, a testa vomitada. Idas e vindas continuarão. Na descoberta final no rosto mostrarei à vida, criança ainda... As rugas encobertas por tantos vômitos e beijos, em vão... Durante a caminhada.
Declamação
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