TEMPESTADE

Este poema nasceu numa manhã de férias em Mongaguá. Fui à praia em pleno temporal, e de repente tudo se tornou ameaçador: o vento, o céu pesado, as ondas turbulentas… Era como se a própria natureza chorasse, revelando sua tristeza antiga. Mas o temporal passou — como todos passam. E, quando o sol voltou, vi o mar recuperar sua poesia: o movimento eterno, a luz dançando na água, a beleza renascida depois das lágrimas do céu. Foi dessa transformação — do medo à serenidade, da sombra à luz — que nasceu o poema. Uma lembrança de que até a natureza chora… e que sempre volta a sorrir.
Como é triste e medonho o pranto do litoral! Chora a criança sem praia e o adulto sem sol. O vento sul assovia e envia rajadas constantes! Parecendo por instantes que o mundo vai acabar! O mar explode em ressaca! E saca sua força de abismos. Água e ar se compõem como se a tragar a terra! É cena com luz e som, é mostra a impressionar... Um filme que se repete nos verões do litoral. Mas mal o choro termina... e tudo volta ao normal. O céu enxuga os seus olhos e distribui conchinhas o mar.
Declamação
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