TESTE

Este poema nasceu no caminho. Em um dia de chuva, enquanto eu seguia pela estrada para Serrana, cada quilômetro carregava o peso da urgência e do medo. Meus pais haviam sofrido um acidente com seu VW azul, e o tempo parecia escorrer junto com a água no asfalto. “TESTE” reúne as reflexões que surgiram nesse trajeto — pensamentos fragmentados, imagens rápidas, silêncio e oração — quando a vida nos coloca diante da fragilidade, do amor e da possibilidade da perda.
Navego em mar de adrenalina Levado pelos gritos E suado em sangue. O tempo é curto Para a longa estrada Que se veste de chuva. Quase não se vê mais nada Senão um véu de flashes De um louco fotógrafo do céu. Árvore de Natal Com luzes da ambulância Marcam data e local da ponte Que quase leva ao nada O tudo de vidas. À beira da vida que passa, Bem no fundo da cova, O sonho azul tornado pesadelo, Ataúde em quatro rodas Voltadas para o sul. Vou ao poço, piso o barro, Toco o metal, Vou ao âmago de mim e agradeço... Envolto em emoção E no manto da tempestade! Mais um teste, mais um dia! Mais uma cena... Da nossa ínfima Paixão.
Declamação
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