Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Estrelas no Mar

Poema

ÚTERO DE VIDRO

Ilustração — ÚTERO DE VIDRO

Este poema nasce de uma experiência-limite da imaginação e da consciência. Coloquei-me no lugar de um feto em um tubo de ensaio, em um laboratório, e a partir dali deixei que a voz falasse. Não é sobre ciência, é sobre existência. São reflexões silenciosas de quem percebe, antes mesmo de viver, a dolorosa possibilidade de não ter vivido. Um olhar poético sobre a vida que poderia ser, sobre o tempo que talvez não chegue, e sobre a tristeza profunda de uma existência interrompida antes do primeiro respiro.

Um feto de cinco meses
No útero de vidro e formol
Não viu o sol... a luz.
Mas também não carregou cruz.

Animal em posição fetal,
Desumana.
O final escrito de dor
Nunca sorriu.
Mas também não emitiu um grito.

Quando irá ressuscitar...
Sem ter nascido...
Dos mortos?

Declamação

Vídeo

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