ÚTERO DE VIDRO

Este poema nasce de uma experiência-limite da imaginação e da consciência. Coloquei-me no lugar de um feto em um tubo de ensaio, em um laboratório, e a partir dali deixei que a voz falasse. Não é sobre ciência, é sobre existência. São reflexões silenciosas de quem percebe, antes mesmo de viver, a dolorosa possibilidade de não ter vivido. Um olhar poético sobre a vida que poderia ser, sobre o tempo que talvez não chegue, e sobre a tristeza profunda de uma existência interrompida antes do primeiro respiro.
Um feto de cinco meses No útero de vidro e formol Não viu o sol... a luz. Mas também não carregou cruz. Animal em posição fetal, Desumana. O final escrito de dor Nunca sorriu. Mas também não emitiu um grito. Quando irá ressuscitar... Sem ter nascido... Dos mortos?
Declamação
Vídeo