MARCANTE

MARCANTE nasceu de um instante silencioso e profundamente simbólico: a primeira menstruação - menarca - de minha filha. Diante desse marco, fui tomado por memórias e reflexões sobre tudo aquilo que remete à origem, ao início, à gênese da vida. O poema é um olhar de pai que reconhece a passagem do tempo, o florescer do feminino e a força ancestral que atravessa gerações, marcando para sempre quem somos e de onde viemos.
Fluxo que marca e leva periodicamente A semente do fruto, o polem da flor A nascente do rio, o pôr-do-sol O primeiro de janeiro... O ovo do pássaro, o prefácio do livro A luz do farol, a abertura da ópera As ovas do peixe, a locomotiva do trem O girino da rã, a maçã de Newton E a Estrela de Belém... Fluxo que marca e traz infalivelmente A esperança de vida, a promessa de futuro O sonho de paz, a fé em Deus A crença na humanidade, a certeza do amanhã! A alegria da juventude, as dúvidas da adolescência A essência do ser, a dor da maternidade O som das Esferas, as cores do arco-íris A Cruz de Jerusalém... Fluxo que marca e faz eternamente O quanto eterna possa ser a existência A causa da vida entregue a um ritual Que as luas marcam por todos os séculos... De menarcas a menopausas. Amém...
Declamação
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