ÂNSIA

No poema “Ânsia”, a celebração do tempo vivido mistura-se ao temor silencioso do tempo que ainda virá. Entre taças erguidas e festas de réveillon, o poeta revela a fragilidade da existência e a consciência aguda de estar vivo apenas por mais um instante. A alegria coletiva contrasta com a inquietação íntima: sobreviver hoje não garante o amanhã. Em versos densos e humanos, o poema transforma o brinde à vida em reflexão sobre o mistério do ser, do tempo e da permanência — essa permanente ânsia de continuar.
Completei mais um ano. Ainda estou vivo! Que alívio! Mas não posso garantir minha frágil existência até o final do próximo. Mistérios do réveillon. O grito de venci cala-se engasgado na garganta; ante temor da perda a cada instante, da despedida para sempre; e ergo a taça de champanha. Mistérios da vida. Hoje sou sobrevivente. Amanhã não sei. O êxtase da gente, o riso largo e a festa branca infestam vazio momentâneo do eu. Mistérios do ser.
Declamação
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