Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Mosaico

Poema

ÂNSIA

Ilustração — ÂNSIA

No poema “Ânsia”, a celebração do tempo vivido mistura-se ao temor silencioso do tempo que ainda virá. Entre taças erguidas e festas de réveillon, o poeta revela a fragilidade da existência e a consciência aguda de estar vivo apenas por mais um instante. A alegria coletiva contrasta com a inquietação íntima: sobreviver hoje não garante o amanhã. Em versos densos e humanos, o poema transforma o brinde à vida em reflexão sobre o mistério do ser, do tempo e da permanência — essa permanente ânsia de continuar.

Completei mais um ano.
Ainda estou vivo! Que alívio!
Mas não posso garantir
minha frágil existência
até o final do próximo.
Mistérios do réveillon.
O grito de venci cala-se
engasgado na garganta;
ante temor da perda a cada instante,
da despedida para sempre;
e ergo a taça de champanha.
Mistérios da vida.
Hoje sou sobrevivente.
Amanhã não sei.
O êxtase da gente,
o riso largo e a festa branca
infestam vazio momentâneo do eu.
Mistérios do ser.

Declamação

Vídeo

Entre para reagir.

Comentários (0)

Entre ou crie sua conta para comentar.

Seja o primeiro a comentar.