GATO

O poema GATO é uma elegia íntima e dolorosamente humana. A perda do animal de estimação transcende o simples luto — torna-se reflexão sobre ausência, memória e finitude. O que mais dói não é apenas a partida, mas a falta do último gesto, do último toque, da despedida que não aconteceu. Ao descrever o gato com suas imperfeições — sujo, preguiçoso, namorador, insaciável — você o eterniza naquilo que o tornava único. Há ternura na lembrança do tapete, da cama, da geladeira; pequenos cenários domésticos que agora carregam o peso do silêncio. Quando o eu lírico afirma sofrer “perda de sete vidas”, amplia o luto para além do animal: é o homem refletindo sobre sua própria fragilidade. GATO é amor tardio, é saudade que ensina, é a consciência de que toda despedida deveria ser inteira.
Perdi meu gato sem lembrar-me do último toque em seu pelo, do último miado, do último ronronar, do último ato de despedida. Perdi meu gato, não o verei jamais no tapete, ao pé da cama, defronte a geladeira. Somente um retrato sobrou após a partida. Perdi meu gato que era sujo, pestilento, preguiçoso, namorador barulhento, sempre enfiado no mato e insaciável por comida. Perdi meu gato e o fato da sua ausência sem a devida despedida é insuportável. Sofro perda de sete vidas de um animal cujo fado fez-me refletir sobre o meu.
Declamação
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