Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Mosaico

Poema

FRESTA

Ilustração — FRESTA

O poema FRESTA é uma viagem cósmica e sensorial pela existência. A luz visível torna-se apenas “fresta” diante da imensidão do espectro — metáfora poderosa para a limitação humana diante do infinito. O eu lírico não se contenta com o que é aparente: mergulha em ondas invisíveis, surfa no ultravioleta, flutua no infravermelho, expandindo-se além da matéria. Há ciência e misticismo entrelaçados: o oceano sideral, o Sudário, o olhar da Virgem, os raios cósmicos. Tudo converge para uma travessia espiritual, como uma caravela de luz rasgando o arco-íris da experiência humana em direção ao oriente simbólico — lugar do renascer. FRESTA é transcendência elétrica, é fé expandida em frequência, é a alma atravessando a fresta da luz rumo ao mistério.

Perdi meu gato
sem lembrar-me
do último toque em seu pêlo,
do último miado,
do último ronronar,
do último ato
de despedida.
Perdi meu gato,
não o verei jamais
no tapete,
ao pé da cama,
defronte a geladeira.
Somente um retrato
sobrou após a partida.
Perdi meu gato
que era sujo,
pestilento,
preguiçoso,
namorador barulhento,
sempre enfiado no mato
e insaciável por comida.
Perdi meu gato
e o fato da sua ausência
sem a devida despedida
é insuportável.
Sofro perda de sete vidas
de um animal cujo fado
fez-me refletir sobre o meu.

Declamação

Vídeo

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