FRESTA

O poema FRESTA é uma viagem cósmica e sensorial pela existência. A luz visível torna-se apenas “fresta” diante da imensidão do espectro — metáfora poderosa para a limitação humana diante do infinito. O eu lírico não se contenta com o que é aparente: mergulha em ondas invisíveis, surfa no ultravioleta, flutua no infravermelho, expandindo-se além da matéria. Há ciência e misticismo entrelaçados: o oceano sideral, o Sudário, o olhar da Virgem, os raios cósmicos. Tudo converge para uma travessia espiritual, como uma caravela de luz rasgando o arco-íris da experiência humana em direção ao oriente simbólico — lugar do renascer. FRESTA é transcendência elétrica, é fé expandida em frequência, é a alma atravessando a fresta da luz rumo ao mistério.
Perdi meu gato sem lembrar-me do último toque em seu pêlo, do último miado, do último ronronar, do último ato de despedida. Perdi meu gato, não o verei jamais no tapete, ao pé da cama, defronte a geladeira. Somente um retrato sobrou após a partida. Perdi meu gato que era sujo, pestilento, preguiçoso, namorador barulhento, sempre enfiado no mato e insaciável por comida. Perdi meu gato e o fato da sua ausência sem a devida despedida é insuportável. Sofro perda de sete vidas de um animal cujo fado fez-me refletir sobre o meu.
Declamação
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