Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Mosaico

Poema

PRETENSÃO

Ilustração — PRETENSÃO

No poema PRETENSÃO, coloco-me aos pés do Mestre dos Mestres — não em uma sala de aula tradicional, mas na escola do mundo. Ali não há giz, cadernetas ou métodos. Há campos, ramos, pássaros e, sobretudo, amor. Diante do ensinamento silencioso do Cristo, percebo a limitação das minhas próprias estratégias pedagógicas. A verdadeira lição não se dita: vive-se. Não se planeja: entrega-se. Não se impõe: inspira-se. PRETENSÃO é um ato de humildade docente — a confissão de que, diante do Amor que educa pelo exemplo, toda técnica é pequena e toda vaidade se dissolve. É o reconhecimento de que ensinar talvez seja, antes de tudo, aprender.

Ali estava eu
aos pés do Mestre dos Mestres,
pregado na cruz do século vinte.
Espectador atento
e simples aprendiz
não vi giz,
nem notas, nem planejamentos,
somente momentos de amor,
carinho e dedicação.
Não vi cadernetas, nem lição.
As papeletas e livros didáticos
não tinham espaço de utilização
e nenhum passo ditado por métodos.
As carteiras e compassos
eram campos e ramos.
O sinal era o cantar dos pássaros,
e a escola, o mundo.
E um profundo sentimento de impotência
assumiu ao vazio das ações
da minha pobre docência
alimentada por pretensões.

Declamação

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