VOZES

No poema VOZES, percorro os séculos da literatura portuguesa como quem atravessa uma pátria sonora. Do Trovadorismo ao Modernismo, cada movimento ecoa como herança viva — conselhos, sonhos, sermões, suspiros e inquietações que moldaram a alma de um povo. Entre Garrett, Vieira, Pessoa e tantos outros, não leio apenas versos: escuto a identidade que me constitui. Portugal não é apenas geografia — é memória literária, é tradição que atravessa gerações, é a música das palavras que me antecederam. VOZES é homenagem e pertencimento. É o reconhecimento de que, na voz eterna dos poetas, pulsa também a minha própria voz — descendente orgulhoso de uma história escrita em versos imortais.
A voz do trovadorismo que “no mundo non me sei parelha” aconselha-me a buscar nos versos o País que não conheci. A voz do classicismo “quando entoar começa branda” desperta-me com Sá de Miranda sonhar com o que não vi. A voz do Barroco fala Sermão de Vieira “contra as fadigas do desejo” beirando um Tejo que não bebi. A voz do Arcadismo “ao longo de uma praia em triste dia” “com seus cuidados só por companhia” sorve em Reis Quita o Soneto que li. A voz do Romantismo de Garrett a João de Deus que “responde a suspiros meus” da “Barca bela” em que fugi. A voz do Realismo que me “desperta desejo de sofrer” e com Antero e Junqueiro canta os mortos com os quais não convivi. A voz do Simbolismo “tão viva que é apenas sentimento” “por um momento polui e rasga o linho” da cama em que não dormi. A voz do Modernismo que “nas janelas do meu quarto” chama Fernando Pessoa que entoa o que não escrevi. É a voz de Portugal sempre novo na voz eterna dos Poetas cantando a alma de um Povo do qual, com orgulho, descendi. É a voz de Portugal amigo que acarinha e aquece corações com as cinco mil palavras dos Lusíadas legadas pelo gênio de Camões.
Declamação
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