Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Mosaico

Poema

VOTO

Ilustração — VOTO

No poema VOTO, o ato solitário da cabine eleitoral transforma-se em ritual íntimo. Entre santinhos, promessas e manifestações coloridas, o eleitor recolhe sonhos, dúvidas e esperanças — e leva consigo muito mais do que um título. No silêncio da urna, sem plateia, sem rosto, sem aplauso, acontece o gesto decisivo: escolher no escuro aquilo que projetamos como futuro. O voto torna-se ponte entre ontem e amanhã, entre ilusão e responsabilidade. VOTO é reflexão sobre a força e a fragilidade da democracia. É o instante em que depositamos não apenas um nome, mas nossas crenças — e depois, muitas vezes, hibernamos politicamente, aguardando o próximo despertar.

Recolhi meus sonhos,
meus anseios,
meu título de eleitor.
No meio dos programas eleitorais
e cartas de candidatos
inseri contatos
e santinhos,
um pouquinho de ilusão,
muita manifestação
e carreatas,
além da interferência
de amigos
e das passeatas coloridas.
E comigo na cabine
o gesto final.
Sem feridas
sem presenças
sem fotos
sem filme
absorvi tudo com emoção
escolhi um nome no escuro
e na urna
sem rosto nem expressão
depositei meus votos
de ontem e de hoje
no futuro.
E nova mente,
hibernei politicamente

Declamação

Vídeo

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