VOTO

No poema VOTO, o ato solitário da cabine eleitoral transforma-se em ritual íntimo. Entre santinhos, promessas e manifestações coloridas, o eleitor recolhe sonhos, dúvidas e esperanças — e leva consigo muito mais do que um título. No silêncio da urna, sem plateia, sem rosto, sem aplauso, acontece o gesto decisivo: escolher no escuro aquilo que projetamos como futuro. O voto torna-se ponte entre ontem e amanhã, entre ilusão e responsabilidade. VOTO é reflexão sobre a força e a fragilidade da democracia. É o instante em que depositamos não apenas um nome, mas nossas crenças — e depois, muitas vezes, hibernamos politicamente, aguardando o próximo despertar.
Recolhi meus sonhos, meus anseios, meu título de eleitor. No meio dos programas eleitorais e cartas de candidatos inseri contatos e santinhos, um pouquinho de ilusão, muita manifestação e carreatas, além da interferência de amigos e das passeatas coloridas. E comigo na cabine o gesto final. Sem feridas sem presenças sem fotos sem filme absorvi tudo com emoção escolhi um nome no escuro e na urna sem rosto nem expressão depositei meus votos de ontem e de hoje no futuro. E nova mente, hibernei politicamente
Declamação
Vídeo