SELOS

SELOS é um poema longo e reflexivo sobre as partidas e permanências da vida. O melhor momento do ir é o momento ainda grávido do voltar. Cada despedida rompe um selo — o da vida e o da morte, simultaneamente. Não somos sacerdotes nazireus: carregamos conosco os cadáveres do que fomos, os outros eus que habitamos, os lugares e amores que deixamos para trás.
O melhor momento do ir é o momento ainda grávido do voltar . No partir do selo da vida , parte-se o da morte e vice-versa . Dança controversa do retornar . Desprendemo-nos constantemente , como fruto das árvores , de nossas temporárias moradas . Eterna interface entre ir e ficar . Não somos sacerdotes nazireus pois sempre estaremos juntos dos cadáveres do que fomos , dos nossos outros eus , de onde ficamos , de onde moramos , de onde visitamos , dos que amamos e não veremos mais . Somos imortais , reis do universo sem o sermos em nós . Dolorosa corôa de espinhos que levamos sem o saber , com ou sem alegria , vislumbrando a eternidade pela frincha de uma porta . Mas não importa . Transitamos conduzidos pelos sonhos e pela poesia .
Declamação
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