Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Água Viva

Poema

SELOS

Ilustração — SELOS

SELOS é um poema longo e reflexivo sobre as partidas e permanências da vida. O melhor momento do ir é o momento ainda grávido do voltar. Cada despedida rompe um selo — o da vida e o da morte, simultaneamente. Não somos sacerdotes nazireus: carregamos conosco os cadáveres do que fomos, os outros eus que habitamos, os lugares e amores que deixamos para trás.

O melhor momento do ir
é o momento ainda grávido
do voltar .

No partir do selo da vida ,
parte-se o da morte
e vice-versa .

Dança controversa do retornar .
Desprendemo-nos constantemente ,
como fruto das árvores ,
de nossas temporárias moradas .

Eterna interface entre ir e ficar .
Não somos sacerdotes nazireus
pois sempre estaremos juntos
dos cadáveres do que fomos ,
dos nossos outros eus ,
de onde ficamos ,
de onde moramos ,
de onde visitamos ,
dos que amamos
e não veremos mais .

Somos imortais ,
reis do universo
sem o sermos em nós .

Dolorosa corôa de espinhos
que levamos sem o saber ,
com ou sem alegria ,
vislumbrando a eternidade
pela frincha de uma porta .

Mas não importa .
Transitamos conduzidos pelos sonhos
e pela poesia .

Declamação

Vídeo

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