MANCHAS

“MANCHAS” é um poema profundamente humano e cósmico, em que Antônio Carlos Tórtoro transforma dor, genética, fé e amor em poesia. Entre referências ao universo, à ciência e à espiritualidade, o texto percorre a trajetória de um pai diante da neurofibromatose congênita do filho Rodrigo, revelando que as marcas da vida não são sinais de derrota, mas testemunhos de existência, coragem e luz. Com imagens intensas e sensíveis, o poema une cromossomos, estrelas, sofrimento, esperança e transcendência, mostrando que até as manchas carregam significado, memória e beleza. Uma homenagem emocionante ao amor paterno, à resistência humana e à capacidade de iluminar o mundo apesar das dores.
Meu sol, Como todo sol que se preza, Tem manchas... Saturno, Belo e ornado de anéis, Tem manchas... brancas Júpiter, Pai dos Deuses... Zeus, Tem manchas... vermelhas. Meu filho Rodrigo, com neurofibromatóse congênita, Tem manchas... pardas. As manchas são troféus... sobrenaturais, Que quais estigmas de Cristo, São Vistos Cósmicos dados por Deus, Aos seus escolhidos do Cosmo. As manchas lembram... falam, Exalam significados... mensagens, Imagens lembrando histórias, Palmatórias talvez... do mundo. As manchas do meu sol... genéticas, São antiestéticas... nasceram em meiose, Dose aleatória de translocação... sono, do Cromossomo 17... natural distração. E as orações se tornam fermento, No sofrimento ante temores... tumores... Nossas dores encontram bálsamo em Maria, Santa e Pia... vela a vida Rosa Mística. A heurística é altar de inspiração. Então ciência do homem pós-moderno, Hodiernos arsenais dispõe de luta, E na labuta de pesquisas enfim desvenda, Retira a venda... se apossa das mutações. Milhões em luta... dispensam-se Valquírias, Meu sol... apesar e com tudo... ilumina. Como todo sol que se preza... Tem brilho. Meu filho Rodrigo, Ser único sem par nos Universos, Em versos compõe a vida, Tem amor... É!
Declamação
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