ABUTRE

O poema “ABUTRE” nos conduz a uma reflexão inquietante sobre o olhar que escolhemos lançar sobre o mundo. A figura do abutre, sempre atento, paciente e persistente, simboliza aquele que busca — mas cuja busca é guiada por uma inclinação sombria. Ao percorrer vales, montes, matas e mares, há beleza por toda parte, mas algo o impede de vê-la. Ofuscado, ele se volta inevitavelmente para aquilo que é fruto da morte, do erro e da injustiça. Sua escolha revela uma verdade profunda: muitas vezes, não é o mundo que é escuro, mas o olhar que insiste em encontrar apenas a carniça. Mais do que descrever um animal, “ABUTRE” nos provoca a refletir sobre nossas próprias escolhas — sobre o que buscamos, o que valorizamos e, sobretudo, sobre aquilo que decidimos enxergar.
O abutre ronda espia vigia procura espera se esmera na busca. O abutre sonda nos vales nos montes nas matas no mar mas algo o ofusca. E o abutre encontra o fruto da morte do erro da falha da injustiça e agarra, apesar do belo que o rodeia, a desejada carniça.
Declamação
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