Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Edelweiss

Poema

ABUTRE

Ilustração — ABUTRE

O poema “ABUTRE” nos conduz a uma reflexão inquietante sobre o olhar que escolhemos lançar sobre o mundo. A figura do abutre, sempre atento, paciente e persistente, simboliza aquele que busca — mas cuja busca é guiada por uma inclinação sombria. Ao percorrer vales, montes, matas e mares, há beleza por toda parte, mas algo o impede de vê-la. Ofuscado, ele se volta inevitavelmente para aquilo que é fruto da morte, do erro e da injustiça. Sua escolha revela uma verdade profunda: muitas vezes, não é o mundo que é escuro, mas o olhar que insiste em encontrar apenas a carniça. Mais do que descrever um animal, “ABUTRE” nos provoca a refletir sobre nossas próprias escolhas — sobre o que buscamos, o que valorizamos e, sobretudo, sobre aquilo que decidimos enxergar.

O abutre ronda
espia
vigia
procura
espera
se esmera na busca.
O abutre sonda
nos vales
nos montes
nas matas
no mar
mas algo o ofusca.
E o abutre encontra o fruto
da morte
do erro
da falha
da injustiça
e agarra,
apesar do belo que o rodeia,
a desejada carniça.

Declamação

Vídeo

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