AMARGO DESPERTAR

O poema “AMARGO DESPERTAR” nos conduz a um contraste intenso entre a celebração e a inquietação. Enquanto o mundo festeja a chegada de um novo ano, o eu poético desperta para uma realidade marcada por angústia, incerteza e presságios sombrios. O que deveria ser renascimento transforma-se em um instante de tensão, onde o futuro parece ameaçado. Entre ecos históricos e referências a conflitos, o poema revela um olhar sensível e crítico sobre a humanidade — como se cada novo começo carregasse, também, o peso de seus próprios riscos. A explosão dos fogos mistura-se ao estalo da consciência, e o grito contido traduz um despertar doloroso diante do mundo. Mais do que um registro de época, “AMARGO DESPERTAR” é um convite à reflexão: até que ponto celebramos o tempo sem encarar suas verdades? Um poema que inquieta, provoca e nos chama a despertar — não apenas para o dia que nasce, mas para a realidade que insistimos em não ver.
Neste nascer de dia Que agonia... após reveillon O primeiro de noventa e um... É incomum Parece o último primeiro. Nem em catorze ou trinta e nove Comove tanto tal parir de um dia. Não dá para sorrir Fica um grito na boca Espocar do rojão com primeiro raio Mas é pouca a esperança no porvir. Quase todos dormem... Quase grito... feliz ano novo Povo... quase choro Quase morro Engasgo um urro Um murro à realidade. Quasímodo despertar A esperar o apocalipse no Oriente Médio Não tem remédio o desamar É a terceira guerra Nuclear... Nu... Ar...
Declamação
Vídeo