Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Edelweiss

Poema

AMARGO DESPERTAR

Ilustração — AMARGO DESPERTAR

O poema “AMARGO DESPERTAR” nos conduz a um contraste intenso entre a celebração e a inquietação. Enquanto o mundo festeja a chegada de um novo ano, o eu poético desperta para uma realidade marcada por angústia, incerteza e presságios sombrios. O que deveria ser renascimento transforma-se em um instante de tensão, onde o futuro parece ameaçado. Entre ecos históricos e referências a conflitos, o poema revela um olhar sensível e crítico sobre a humanidade — como se cada novo começo carregasse, também, o peso de seus próprios riscos. A explosão dos fogos mistura-se ao estalo da consciência, e o grito contido traduz um despertar doloroso diante do mundo. Mais do que um registro de época, “AMARGO DESPERTAR” é um convite à reflexão: até que ponto celebramos o tempo sem encarar suas verdades? Um poema que inquieta, provoca e nos chama a despertar — não apenas para o dia que nasce, mas para a realidade que insistimos em não ver.

Neste nascer de dia
Que agonia... após reveillon
O primeiro de noventa e um...
É incomum
Parece o último primeiro.
Nem em catorze ou trinta e nove
Comove tanto tal parir de um dia.
Não dá para sorrir
Fica um grito na boca
Espocar do rojão com primeiro raio
Mas é pouca a esperança no porvir.
Quase todos dormem...
Quase grito... feliz ano novo
Povo... quase choro
Quase morro
Engasgo um urro
Um murro à realidade.
Quasímodo despertar
A esperar o apocalipse no Oriente Médio
Não tem remédio o desamar
É a terceira guerra
Nuclear...
Nu...
Ar...

Declamação

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