GRÃO APRENDIZ

O poema “GRÃO-APRENDIZ” nos conduz a uma jornada de humildade, silêncio e descoberta interior. Ao valorizar a condição de aprendiz, o eu poético revela a beleza de quem ainda observa mais do que fala, sente mais do que afirma e caminha com respeito diante do desconhecido. Entre símbolos e referências que evocam tradição, espiritualidade e construção do ser, o poema apresenta o aprendizado como um caminho sagrado — onde cada gesto, cada silêncio e cada imagem construída entre colunas representam etapas de uma transformação profunda. Mais do que exaltar o saber, “GRÃO-APRENDIZ” celebra o não saber como ponto de partida: um convite à escuta, à disciplina e à fraternidade. Um poema que nos lembra que é na simplicidade do aprender que reside a verdadeira sabedoria.
Como é bom ser aprendiz Não falar Somente soletrar Calar-se... nada dizer Não dividir Não compactuar Não medir forças Não saber das potências E pensar haver só uma. Sendo fiel a ela Formar belas imagens Entre colunas. Como é bom ser aprendiz Banhado pelo orvalho dos Montes de Sião Abençoado pelo óleo precioso E sob barbas que pensa Serem de Arão. Olhar as luzes e ainda ver Na jônica a Sapiência E na dórica a Força. Desconhecer que forças medem-se Não no sul Nem no setentrião. Como é bom ser aprendiz De avental bem branco Ter andar sempre horário Fiel ao essencial compasso Ao espírito fraterno. Estar longe de elevações Viajar pelo itinerário Interstícios todos aguardando E adentrar seu Templo Acreditando ser único o Universo, O ideal... o passo. Como é bom ser aprendiz E trabalhar a pedra bruta E na labuta precisar do irmão. Não ter ainda a pedra pronta, polida... E sua vida aberta à comunhão. Não ter dúvida quanto ao querer E sem poder algum Crer na igualdade Na liberdade. Saber ser grão.
Declamação
Vídeo