Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Edelweiss

Poema

GRÃO APRENDIZ

Ilustração — GRÃO APRENDIZ

O poema “GRÃO-APRENDIZ” nos conduz a uma jornada de humildade, silêncio e descoberta interior. Ao valorizar a condição de aprendiz, o eu poético revela a beleza de quem ainda observa mais do que fala, sente mais do que afirma e caminha com respeito diante do desconhecido. Entre símbolos e referências que evocam tradição, espiritualidade e construção do ser, o poema apresenta o aprendizado como um caminho sagrado — onde cada gesto, cada silêncio e cada imagem construída entre colunas representam etapas de uma transformação profunda. Mais do que exaltar o saber, “GRÃO-APRENDIZ” celebra o não saber como ponto de partida: um convite à escuta, à disciplina e à fraternidade. Um poema que nos lembra que é na simplicidade do aprender que reside a verdadeira sabedoria.

Como é bom ser aprendiz
Não falar
Somente soletrar
Calar-se... nada dizer
Não dividir
Não compactuar
Não medir forças
Não saber das potências
E pensar haver só uma.
Sendo fiel a ela
Formar belas imagens
Entre colunas.
Como é bom ser aprendiz
Banhado pelo orvalho dos Montes de Sião
Abençoado pelo óleo precioso
E sob barbas que pensa
Serem de Arão.
Olhar as luzes e ainda ver
Na jônica a Sapiência
E na dórica a Força.
Desconhecer que forças medem-se
Não no sul
Nem no setentrião.
Como é bom ser aprendiz
De avental bem branco
Ter andar sempre horário
Fiel ao essencial compasso
Ao espírito fraterno.
Estar longe de elevações
Viajar pelo itinerário
Interstícios todos aguardando
E adentrar seu Templo
Acreditando ser único o Universo,
O ideal... o passo.
Como é bom ser aprendiz
E trabalhar a pedra bruta
E na labuta precisar do irmão.
Não ter ainda a pedra pronta, polida...
E sua vida aberta à comunhão.
Não ter dúvida quanto ao querer
E sem poder algum
Crer na igualdade
Na liberdade.
Saber ser grão.

Declamação

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