Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Edelweiss

Poema

APAGAR

Ilustração — APAGAR

O poema “APAGAR” nos conduz a um dos momentos mais delicados da vida de um educador: o instante da despedida. Entre o apagar do quadro e o silêncio do corredor, o eu poético revela a dor contida de quem dedicou anos à formação de outros e agora se vê diante do fim de um ciclo. Em imagens sensíveis e profundamente humanas, o poema percorre gestos simples — largar o giz, retirar o jaleco, fechar o livro — transformando-os em símbolos de uma trajetória marcada por entrega, repetição e amor ao magistério. Cada detalhe carrega o peso do tempo e a intensidade de uma vida vivida para ensinar. Mais do que um adeus, “APAGAR” é uma homenagem silenciosa a todos que fizeram da sala de aula seu palco e sua missão. Um poema que emociona ao revelar que encerrar um magistério é, de certo modo, apagar uma luz — mas jamais as marcas deixadas no coração de quem aprendeu.

Apaga o quadro... a luz
Conduz seu passo para o corredor
Com a dor de quem não mais conduzirá...
E só se lembrará... com muito amor
Entra vacilante na sala do café
A fé abalada na imortalidade
A idade refletida nas vezes do ato repetido...
Suspira sem sentido... nada diz...
Larga o giz com anos-luz rodados.
Retira o jaleco... olha o nome ainda no armário
E no cenário é atriz... último ato.
Com recato ajeita o cabelo
Sem vê-lo já grisalho... ralo
E num estalo fecha o livro
E livre do ponto... antevê final.
Olha ao redor... mural de avisos
E vê sorrisos que o bedel não vê...
Lê aviso de um novo professor...
Com ardor de febre desce escadarias
Ouve a gritaria no pátio... de adeus
São seus últimos dias... de folia.
A lágrima assina a rescisão...
É tão cruel lembrar no último o primeiro dia...
Agonia indizível encerrar um magistério
Mistério de paixão e morte preservado
Só igualado com o perder da própria vida
Irremediavelmente concedida...

Declamação

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