APAGAR

O poema “APAGAR” nos conduz a um dos momentos mais delicados da vida de um educador: o instante da despedida. Entre o apagar do quadro e o silêncio do corredor, o eu poético revela a dor contida de quem dedicou anos à formação de outros e agora se vê diante do fim de um ciclo. Em imagens sensíveis e profundamente humanas, o poema percorre gestos simples — largar o giz, retirar o jaleco, fechar o livro — transformando-os em símbolos de uma trajetória marcada por entrega, repetição e amor ao magistério. Cada detalhe carrega o peso do tempo e a intensidade de uma vida vivida para ensinar. Mais do que um adeus, “APAGAR” é uma homenagem silenciosa a todos que fizeram da sala de aula seu palco e sua missão. Um poema que emociona ao revelar que encerrar um magistério é, de certo modo, apagar uma luz — mas jamais as marcas deixadas no coração de quem aprendeu.
Apaga o quadro... a luz Conduz seu passo para o corredor Com a dor de quem não mais conduzirá... E só se lembrará... com muito amor Entra vacilante na sala do café A fé abalada na imortalidade A idade refletida nas vezes do ato repetido... Suspira sem sentido... nada diz... Larga o giz com anos-luz rodados. Retira o jaleco... olha o nome ainda no armário E no cenário é atriz... último ato. Com recato ajeita o cabelo Sem vê-lo já grisalho... ralo E num estalo fecha o livro E livre do ponto... antevê final. Olha ao redor... mural de avisos E vê sorrisos que o bedel não vê... Lê aviso de um novo professor... Com ardor de febre desce escadarias Ouve a gritaria no pátio... de adeus São seus últimos dias... de folia. A lágrima assina a rescisão... É tão cruel lembrar no último o primeiro dia... Agonia indizível encerrar um magistério Mistério de paixão e morte preservado Só igualado com o perder da própria vida Irremediavelmente concedida...
Declamação
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