Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Edelweiss

Poema

DEZ ANOS

Ilustração — DEZ ANOS

O poema “DEZ ANOS” nos conduz a uma reflexão profunda sobre o tempo dedicado, os sonhos cultivados e os sacrifícios silenciosos de uma vida entregue à educação. Ao evocar figuras como Jacó e Dom Quixote, o eu poético revela a dualidade entre dever e idealismo — entre servir e sonhar — muitas vezes à custa da própria felicidade. Ao longo dos versos, emerge a imagem de um educador que, em sua entrega total, vê a própria vida escorrer entre responsabilidades, frustrações e a ausência de reconhecimento. O espelho torna-se símbolo desse confronto interior: quem se vê já não é apenas o sonhador, mas também alguém marcado pelo peso do tempo. Mais do que um balanço de uma década, “DEZ ANOS” é um testemunho sensível sobre a condição de quem dedica a vida ao outro — e, ao final, se pergunta o que restou para si. Um poema que toca, questiona e convida à reflexão sobre propósito, valor e existência.

Dez anos, qual Jacó
Labão servindo,
pressinto que nem Lia
e nem Raquel desposarei,
serei um educador
sem alegria
que pensando educação
esqueceu vida.
Dez anos, de Sancho Pança
ou Quixote,
vendo em moinhos
gigantes a enfrentar
verei mais um sonhador
em agonia
a ter no espelho
minha imagem refletida.
Dez anos, qual ninguém
a alguém servindo,
sinto esmorecer energia
e que respeito jamais receberei,
chorarei um professor
que Servia
em tempo integral
à escola com amor assumida.
Dez anos.
Dez amigos.
Dez encantos.
Dez moedas e uma vida
tão curta
para tanta decepção na despedida.

Declamação

Vídeo

Entre para reagir.

Comentários (0)

Entre ou crie sua conta para comentar.

Seja o primeiro a comentar.