Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Edelweiss

Poema

ECOS DE FRANCISCO

Ilustração — ECOS DE FRANCISCO

O poema “ECOS DE FRANCISCO” nos conduz a uma experiência sensível e espiritual que atravessa toda a criação. Em uma sequência harmoniosa de imagens — animais, plantas, elementos e sentimentos — o texto revela a profunda conexão entre o ser humano e a natureza, como um reflexo do sagrado presente em tudo. Inspirado pela essência de São Francisco, o poema convida a perceber o mundo com outros sentidos: olhar, tocar, iluminar e lavar tornam-se gestos de contemplação e encontro. Cada elemento, do simples ao grandioso, participa de uma mesma sinfonia cósmica, onde vida e espiritualidade se entrelaçam. Mais do que descrever a natureza, “ECOS DE FRANCISCO” é um chamado à consciência e à sensibilidade — um convite a reconhecer, em cada detalhe do mundo, a presença do divino que se manifesta silenciosamente em todas as coisas.

Olhar do gato e do cão.
Tocar do manacá e da roseira.
Iluminar do fogo e sol.
Lavar do batismo e mar.
Olhar da gazela e do leão.
Tocar do mal-me-quer e bananeira.
Iluminar da estrela e do farol.
Lavar do grande rio e do luar.
Olhar da pomba e gavião.
Tocar da hortência e da mangueira.
Iluminar do nu da alma e branco do lençol.
Lavar da chuva e do chorar.
Olhar, tocar, lavar e se iluminar.
Sentir no rosto o vendaval
que embala da tempestade ao cisco.
Vislumbrar a todo momento,
no Cósmico,
o São Francisco.

Declamação

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