FLUXO E REFLUXO

O poema “FLUXO E REFLUXO” nos conduz por uma delicada reflexão sobre a natureza instável dos sentimentos, especialmente do amor. A partir da imagem das ondas que avançam e recuam na areia, o texto constrói uma metáfora precisa da oscilação emocional — ora envolvente e sedutora, ora ilusória e passageira. Entre o real e o aparente, o eu poético revela como certos momentos, embora intensos e concretos, podem carregar em si a semente do engano. O flerte, a expectativa e o encantamento surgem como marés que prometem permanência, mas que, inevitavelmente, se desfazem no tempo. Mais do que descrever um movimento da natureza, “FLUXO E REFLUXO” é um convite à introspecção: um olhar sensível sobre os ciclos do desejo, da ilusão e da desilusão, onde o amor, como o mar, encanta, envolve e, por vezes, nos deixa apenas com o eco ardente do que já foi.
Apesar de estático, é sintomática a sensação de flutuar no fluxo e refluxo das ondas que inundam o branco areal. É irreal o movimento o momento porém é concreto e indiscreto olho de siri se ri com boca de farsa que diverte. É como flerte com mulher prometida, é pressentida ilusão de que será mas dia virá em que amante distraído ver-se-á traído pelas ondas do rubor. E só ardor restará do instante que o borbulhante vagalhão sentimental fez real apesar de enganador, como do amor o sutil fluxo e refluxo, que ilude sempre nas praias do ideal.
Declamação
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