GUERRA

O poema “GUERRA” revela, com sensibilidade e profundidade, o contraste entre o discurso heroico e a dura realidade vivida por aqueles que partem para o combate. Entre colinas, marchas e armas, o poeta nos conduz por um cenário onde o dever se mistura à dor, e a coragem convive com o sofrimento silencioso. Mais do que narrar a guerra, os versos expõem suas consequências humanas: a saudade deixada nos lares, a juventude interrompida e os sonhos que se perdem no caminho. A repetição do chamado à pátria ecoa como um paradoxo — uma ordem que, muitas vezes, ignora o coração de quem luta.
Por entre colinas e vales Da tropa, caminham ao lado, Os grandes tanques de guerra Para salvarem torrão amado. Levando no ombro a arma O infante vai seguindo Serpenteiam as colunas E no campo vão sumindo. Batem no chão as botas No peito o coração Os lábios fugir não deixam Soluços dos que lá vão. Os que atrás deixam amadas Esperam voltar um dia Mal sabem quão é a guerra Dolosa, cruenta e fria. E anda o grande grupo E anda fuzil, a mochila Na tarde vão se perdendo E a noite já cai tranquila Nos lares soluços longos Nas ruas só noite fria. É finda a mocidade Que foi tão feliz um dia. Luta por tua Pátria! Luta, jovem, pela Nação Pensa que és agora — dizem — Algo sem coração. Lutar por quem e por quê? Para que tanta crueldade? Será que vale a guerra O sofrer de uma mocidade? E marcha negra coluna... Triste imagem... triste episódio Deixando atrás lamentos Levando cada peito... o ódio.
Declamação
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