Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Edelweiss

Poema

GUERRA

Ilustração — GUERRA

O poema “GUERRA” revela, com sensibilidade e profundidade, o contraste entre o discurso heroico e a dura realidade vivida por aqueles que partem para o combate. Entre colinas, marchas e armas, o poeta nos conduz por um cenário onde o dever se mistura à dor, e a coragem convive com o sofrimento silencioso. Mais do que narrar a guerra, os versos expõem suas consequências humanas: a saudade deixada nos lares, a juventude interrompida e os sonhos que se perdem no caminho. A repetição do chamado à pátria ecoa como um paradoxo — uma ordem que, muitas vezes, ignora o coração de quem luta.

Por entre colinas e vales
Da tropa, caminham ao lado,
Os grandes tanques de guerra
Para salvarem torrão amado.
Levando no ombro a arma
O infante vai seguindo
Serpenteiam as colunas
E no campo vão sumindo.
Batem no chão as botas
No peito o coração
Os lábios fugir não deixam
Soluços dos que lá vão.
Os que atrás deixam amadas
Esperam voltar um dia
Mal sabem quão é a guerra
Dolosa, cruenta e fria.
E anda o grande grupo
E anda fuzil, a mochila
Na tarde vão se perdendo
E a noite já cai tranquila
Nos lares soluços longos
Nas ruas só noite fria.
É finda a mocidade
Que foi tão feliz um dia.
Luta por tua Pátria!
Luta, jovem, pela Nação
Pensa que és agora — dizem —
Algo sem coração.
Lutar por quem e por quê?
Para que tanta crueldade?
Será que vale a guerra
O sofrer de uma mocidade?
E marcha negra coluna...
Triste imagem... triste episódio
Deixando atrás lamentos
Levando cada peito... o ódio.

Declamação

Vídeo

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