Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Edelweiss

Poema

MANACÁ

Ilustração — MANACÁ

O poema “MANACÁ” nos convida a contemplar a delicadeza e o mistério de uma flor que transcende sua própria natureza. Mais do que um elemento do mundo vegetal, o manacá surge como símbolo espiritual — um verdadeiro “maná da alma”, que alimenta sentidos, memórias e percepções. Ao percorrer seus versos, o leitor é envolvido por imagens sensoriais e simbólicas: o perfume violáceo, a transformação das cores, a presença sutil entre o aqui e o acolá. A flor torna-se ponte entre dimensões — entre o concreto e o imaginário, entre o visível e o invisível. No movimento que vai do roxo — associado à finitude — ao branco — signo da iluminação —, o poema revela uma travessia interior.

Manacá,
maná da alma.
Para as rolas
e pardais
são seus ais, de cheiro violáceo,
na calma transformação
de cor.
Manacá
a emanar
alva fragrância de flor solitária.
Alternas folhas,
inteiras.
Composição imaginária.
Manacá,
mana aqui e acolá.
Entre ramificados caules,
o hálito quente
da solanácea
envolvente.
Manacá,
mana aqui
neste lugar
todo o segredo que existe
entre o roxo que é morte
e o branco
da iluminação a se alcançar,
tanto aqui
como acolá.

Declamação

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