MANACÁ

O poema “MANACÁ” nos convida a contemplar a delicadeza e o mistério de uma flor que transcende sua própria natureza. Mais do que um elemento do mundo vegetal, o manacá surge como símbolo espiritual — um verdadeiro “maná da alma”, que alimenta sentidos, memórias e percepções. Ao percorrer seus versos, o leitor é envolvido por imagens sensoriais e simbólicas: o perfume violáceo, a transformação das cores, a presença sutil entre o aqui e o acolá. A flor torna-se ponte entre dimensões — entre o concreto e o imaginário, entre o visível e o invisível. No movimento que vai do roxo — associado à finitude — ao branco — signo da iluminação —, o poema revela uma travessia interior.
Manacá, maná da alma. Para as rolas e pardais são seus ais, de cheiro violáceo, na calma transformação de cor. Manacá a emanar alva fragrância de flor solitária. Alternas folhas, inteiras. Composição imaginária. Manacá, mana aqui e acolá. Entre ramificados caules, o hálito quente da solanácea envolvente. Manacá, mana aqui neste lugar todo o segredo que existe entre o roxo que é morte e o branco da iluminação a se alcançar, tanto aqui como acolá.
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