Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Edelweiss

Poema

ILHADO

Ilustração — ILHADO

O poema “ILHADO” nos conduz a uma reflexão inquietante sobre a solidão moderna e a dependência que criamos das estruturas que deveriam nos servir. Em meio ao cenário urbano do século vinte, o eu poético se vê aprisionado não por muros visíveis, mas pela ausência de movimento — pela perda do direito de ir e vir. A imobilidade física transforma-se em crise existencial: sem ir nem voltar, o ser parece perder também sua própria identidade. A máquina, antes símbolo de progresso, torna-se instrumento de aprisionamento, revelando uma condição quase mecânica da vida contemporânea. Mais do que um relato de circunstância, “ILHADO” é um convite à reflexão sobre nossa relação com a liberdade, o tempo e a tecnologia — e sobre o quanto dependemos de meios externos para simplesmente existir.

Estou ilhado
isolado da civilização.
Falta-me chão,
dia seguinte é incógnita.
Insólita sensação
de vazio fado
em pleno século vinte.
Não posso sair,
o direito de ir e vir
me foi roubado.
Pressinto que não sou,
porque não vou
nem volto
e quase me revolto,
desesperado,
sem ação,
com minha triste sina
de escravo da máquina,
viciado em gasolina,
tendo minha única condução
quebrada numa oficina.

Declamação

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