ILHADO

O poema “ILHADO” nos conduz a uma reflexão inquietante sobre a solidão moderna e a dependência que criamos das estruturas que deveriam nos servir. Em meio ao cenário urbano do século vinte, o eu poético se vê aprisionado não por muros visíveis, mas pela ausência de movimento — pela perda do direito de ir e vir. A imobilidade física transforma-se em crise existencial: sem ir nem voltar, o ser parece perder também sua própria identidade. A máquina, antes símbolo de progresso, torna-se instrumento de aprisionamento, revelando uma condição quase mecânica da vida contemporânea. Mais do que um relato de circunstância, “ILHADO” é um convite à reflexão sobre nossa relação com a liberdade, o tempo e a tecnologia — e sobre o quanto dependemos de meios externos para simplesmente existir.
Estou ilhado isolado da civilização. Falta-me chão, dia seguinte é incógnita. Insólita sensação de vazio fado em pleno século vinte. Não posso sair, o direito de ir e vir me foi roubado. Pressinto que não sou, porque não vou nem volto e quase me revolto, desesperado, sem ação, com minha triste sina de escravo da máquina, viciado em gasolina, tendo minha única condução quebrada numa oficina.
Declamação
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