PÉ DE MEIA

O poema “PÉ DE MEIA” nos conduz a uma reflexão instigante e bem-humorada sobre a própria construção poética. Em um jogo inteligente de questionamentos, o eu poético percorre elementos técnicos da linguagem — som, ritmo, figuras de estilo — como se buscasse, entre eles, a origem de um incômodo sutil. Entre a erudição e a ironia, o poema revela que nem sempre a insatisfação com um texto está em sua estrutura formal, mas talvez em algo mais simples, quase sensorial, como o “cheiro de meia” que invade a métrica e quebra a harmonia esperada. Há, assim, um contraste delicado entre o rigor da técnica e a irreverência da percepção. Mais do que uma análise poética, “PÉ DE MEIA” é um convite ao olhar crítico — e também leve — sobre a arte de escrever, lembrando que a poesia vive tanto da forma quanto do inesperado.
Algo não me agrada nos versos que escreveu: Seria o som o conteúdo, a simetria que não ocorreu? Seriam os versos brancos no ritmo das assonâncias ou a aliteração constante com figuras de oposição? Seria a alegoria interposta na metáfora seguida à sinestesia combinada com anáfora? Ou seria só descompasso da rima com cheiro de meia de pés métricos de um verso o que tanto me chateia?
Declamação
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