Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Edelweiss

Poema

PÉ DE MEIA

Ilustração — PÉ DE MEIA

O poema “PÉ DE MEIA” nos conduz a uma reflexão instigante e bem-humorada sobre a própria construção poética. Em um jogo inteligente de questionamentos, o eu poético percorre elementos técnicos da linguagem — som, ritmo, figuras de estilo — como se buscasse, entre eles, a origem de um incômodo sutil. Entre a erudição e a ironia, o poema revela que nem sempre a insatisfação com um texto está em sua estrutura formal, mas talvez em algo mais simples, quase sensorial, como o “cheiro de meia” que invade a métrica e quebra a harmonia esperada. Há, assim, um contraste delicado entre o rigor da técnica e a irreverência da percepção. Mais do que uma análise poética, “PÉ DE MEIA” é um convite ao olhar crítico — e também leve — sobre a arte de escrever, lembrando que a poesia vive tanto da forma quanto do inesperado.

Algo não me agrada
nos versos que escreveu:
Seria o som
o conteúdo,
a simetria que não ocorreu?
Seriam os versos brancos
no ritmo das assonâncias
ou a aliteração constante
com figuras de oposição?
Seria a alegoria
interposta na metáfora
seguida à sinestesia
combinada com anáfora?
Ou seria só descompasso
da rima com cheiro de meia
de pés métricos de um verso
o que tanto me chateia?

Declamação

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