RIBEIRÃO PRATES

O poema “RIBEIRÃO PRATES” é uma delicada e profunda homenagem a Prisco da Cruz Prates, figura marcante da memória cultural de Ribeirão Preto e antecessor do autor deste poema, na Cadeira nº 8 da Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto. Em versos carregados de evocação histórica, o poema percorre ruas, personagens e cenários que ajudaram a construir a identidade da cidade, entre cafés, circos, jornais e figuras populares que habitam a memória coletiva. Mais do que resgatar nomes e acontecimentos, o texto recria atmosferas — dando vida a um passado que ainda pulsa no presente. Entre lembranças, sons e imagens, o poeta nos convida a revisitar uma Ribeirão de outrora, onde história e emoção caminham lado a lado. “RIBEIRÃO PRATES” é, assim, um tributo à memória, à cultura e à permanência daqueles que, mesmo ausentes, continuam a escrever a história.
Sacudi poeira que a Vila Tibério espargiu e sob Babás e velhas figueiras surgiu Prisco, o Prates, que Relembrando o Passado cantou Pé de Anjo com Choro Quadrado tendo aos pés Fuzarca, canina memória, ao lado de Dona Cota centenária a refazer história. Ouvi o som do Café Nunes e do Eldorado Paulista que Motta deixou de retratar. Vi passar Cacheta e a mundana Etelvina em seu caixão. Com emoção aplaudi Serrote e Floriano marmelada que na terra de São Paulinho apresentavam Circo Ribeirão ao Rei dos Belgas Alberto I e ao incerto Quinzino Embaixador do Tahiti. Li nos jornais da época as histórias de mil réis. Da triste sina de Batista à de Idalina com seu noivo Lorival, das cruéis façanhas de Arruda à muda exploração de Da Gama avarento e agiota. Admirei a coragem do patriota Américo soldado-herói sem fama. E o menino de Pitangueiras nascido em Caculé autodidata Enciclopédia e Dicionário nas mãos convida homem de fé Euclides que aguarda no Oriente há longa data a adentrar Legião. O Padre levanta os olhos sonha os Sonhos de um veterano e convida Ribeirão e os seus homens progressistas a voltarem suas vistas a Ribeirão Preto de Outrora. Posso imaginar o que sente. Parece-me que chora. Prisco e Euclides seguem rumo ao caduceu de Mercúrio. Fazem-me um sinal carinhoso de Adeus e vão-se embora acordando-me o murmúrio da TV já sem imagens dado o adiantado da hora.
Declamação
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