Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Edelweiss

Poema

RIBEIRÃO PRATES

Ilustração — RIBEIRÃO PRATES

O poema “RIBEIRÃO PRATES” é uma delicada e profunda homenagem a Prisco da Cruz Prates, figura marcante da memória cultural de Ribeirão Preto e antecessor do autor deste poema, na Cadeira nº 8 da Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto. Em versos carregados de evocação histórica, o poema percorre ruas, personagens e cenários que ajudaram a construir a identidade da cidade, entre cafés, circos, jornais e figuras populares que habitam a memória coletiva. Mais do que resgatar nomes e acontecimentos, o texto recria atmosferas — dando vida a um passado que ainda pulsa no presente. Entre lembranças, sons e imagens, o poeta nos convida a revisitar uma Ribeirão de outrora, onde história e emoção caminham lado a lado. “RIBEIRÃO PRATES” é, assim, um tributo à memória, à cultura e à permanência daqueles que, mesmo ausentes, continuam a escrever a história.

Sacudi poeira
que a Vila Tibério espargiu
e sob Babás e velhas figueiras
surgiu Prisco, o Prates,
que Relembrando o Passado
cantou Pé de Anjo com Choro Quadrado
tendo aos pés Fuzarca, canina memória,
ao lado de Dona Cota centenária
a refazer história.
Ouvi o som do Café Nunes
e do Eldorado Paulista
que Motta deixou de retratar.
Vi passar Cacheta
e a mundana Etelvina em seu caixão.
Com emoção aplaudi Serrote
e Floriano marmelada
que na terra de São Paulinho
apresentavam Circo Ribeirão
ao Rei dos Belgas Alberto I
e ao incerto Quinzino
Embaixador do Tahiti.
Li nos jornais da época
as histórias de mil réis.
Da triste sina de Batista
à de Idalina com seu noivo Lorival,
das cruéis façanhas de Arruda
à muda exploração de Da Gama
avarento e agiota.
Admirei a coragem do patriota Américo
soldado-herói sem fama.
E o menino de Pitangueiras
nascido em Caculé autodidata
Enciclopédia e Dicionário nas mãos
convida homem de fé Euclides
que aguarda no Oriente há longa data
a adentrar Legião.
O Padre levanta os olhos
sonha os Sonhos de um veterano
e convida Ribeirão
e os seus homens progressistas
a voltarem suas vistas
a Ribeirão Preto de Outrora.
Posso imaginar o que sente.
Parece-me que chora.
Prisco e Euclides
seguem rumo ao caduceu de Mercúrio.
Fazem-me um sinal carinhoso de Adeus
e vão-se embora
acordando-me o murmúrio
da TV já sem imagens
dado o adiantado da hora.

Declamação

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