Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Estrelas no Mar

Poema

QUERO

Ilustração — QUERO

QUERO nasceu de uma reflexão serena sobre a finitude. É um poema em que encaro a possibilidade da minha própria morte não como perda ou tristeza, mas como passagem — quase como uma celebração. Nele, a morte não assusta; ela dialoga com a vida. Ainda assim, há um desejo paradoxal e profundamente humano: o de adiar o fim, de assistir à morte da própria morte em algum outro dia. QUERO é, acima de tudo, um exercício de lucidez, aceitação e amor pela existência.

Se eu morrer algum dia...
Não quero urnas, nem vermes.
Não quero ninguém a chorar.
Quero fogo.
Quero água.
Quero ser cinza no mar!

Se eu morrer algum dia...
Não quero coroas nem velas!
Não quero nenhum clamor!
Quero abraços...
Quero sorrisos...
Quero do sol o calor!

Se eu morrer algum dia!
Não quero um triste funeral!
Quero samba!
Quero enredo!
Quero estar num Carnaval!

Não quero o negro e tristeza.
Não quero entoar de orações.
Quero vinho! Quero danças!
Quero ouvir lindas canções!

Não quero silêncio e solidão...
Quero luz...
Quero passagem...
Quero da morte o Mistério!

Quero ter a alegria...
De uma reencarnação!
Quero viver!
Quero a morte da minha morte...
N'outro dia!

Declamação

Vídeo

Entre para reagir.

Comentários (0)

Entre ou crie sua conta para comentar.

Seja o primeiro a comentar.