QUERO

QUERO nasceu de uma reflexão serena sobre a finitude. É um poema em que encaro a possibilidade da minha própria morte não como perda ou tristeza, mas como passagem — quase como uma celebração. Nele, a morte não assusta; ela dialoga com a vida. Ainda assim, há um desejo paradoxal e profundamente humano: o de adiar o fim, de assistir à morte da própria morte em algum outro dia. QUERO é, acima de tudo, um exercício de lucidez, aceitação e amor pela existência.
Se eu morrer algum dia... Não quero urnas, nem vermes. Não quero ninguém a chorar. Quero fogo. Quero água. Quero ser cinza no mar! Se eu morrer algum dia... Não quero coroas nem velas! Não quero nenhum clamor! Quero abraços... Quero sorrisos... Quero do sol o calor! Se eu morrer algum dia! Não quero um triste funeral! Quero samba! Quero enredo! Quero estar num Carnaval! Não quero o negro e tristeza. Não quero entoar de orações. Quero vinho! Quero danças! Quero ouvir lindas canções! Não quero silêncio e solidão... Quero luz... Quero passagem... Quero da morte o Mistério! Quero ter a alegria... De uma reencarnação! Quero viver! Quero a morte da minha morte... N'outro dia!
Declamação
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