BAÚ

No poema “Baú”, a paisagem da Serra da Mantiqueira transforma-se em metáfora interior. A majestosa Pedra do Baú, vigilante e silenciosa, acompanha curvas, capelas, erosões e flores como testemunha do tempo e da condição humana. Entre terras do leite e do café, entre fé e solidão, o poeta revela que a verdadeira geografia não é apenas a dos vales e montanhas, mas a que carregamos dentro de nós. Ao final, resta o “inviolável Baú da Pedra” — símbolo da essência íntima que precisa ser polida ao longo da vida.
As curvas perigosas e sucessivas camuflam inocentes riachos que se esgueiram por bambuzais, enquanto a Pedra do Baú vigia. Pequenas capelas com cruzes são homenagens da solidão de homens à presença de Deus no todo dia, incensado pelos eucaliptos em chamas no lilás das quaresmeiras, enquanto a Pedra do Baú vigia. As erosões das rubras encostas e as ribanceiras engolindo verdes ramos não permitem distinguir de pronto posição de alternância que ocupamos entre as terras do leite ou do café, enquanto a Pedra do Baú vigia. Entre plátanos e hortênsias, subitamente, a Campos do Jordão que a Pedra do Baú traz escondida, mostra-se magistral... E só resta no âmago de nós o inviolável Baú da Pedra a ser polido.
Declamação
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