Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Mosaico

Poema

BAÚ

Ilustração — BAÚ

No poema “Baú”, a paisagem da Serra da Mantiqueira transforma-se em metáfora interior. A majestosa Pedra do Baú, vigilante e silenciosa, acompanha curvas, capelas, erosões e flores como testemunha do tempo e da condição humana. Entre terras do leite e do café, entre fé e solidão, o poeta revela que a verdadeira geografia não é apenas a dos vales e montanhas, mas a que carregamos dentro de nós. Ao final, resta o “inviolável Baú da Pedra” — símbolo da essência íntima que precisa ser polida ao longo da vida.

As curvas perigosas e sucessivas
camuflam inocentes riachos
que se esgueiram por bambuzais,
enquanto a Pedra do Baú vigia.
Pequenas capelas com cruzes
são homenagens da solidão de homens
à presença de Deus no todo dia,
incensado pelos eucaliptos
em chamas no lilás das quaresmeiras,
enquanto a Pedra do Baú vigia.
As erosões das rubras encostas
e as ribanceiras engolindo verdes ramos
não permitem distinguir de pronto
posição de alternância que ocupamos
entre as terras do leite ou do café,
enquanto a Pedra do Baú vigia.
Entre plátanos e hortênsias,
subitamente, a Campos do Jordão
que a Pedra do Baú traz escondida,
mostra-se magistral...
E só resta no âmago de nós
o inviolável Baú da Pedra
a ser polido.

Declamação

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