Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Mosaico

Poema

BOCHA

Ilustração — BOCHA

No poema “Bocha”, o jogo simples da vida cotidiana transforma-se em profunda metáfora da existência humana. Entre bolas lançadas, medidas imprecisas e estratégias intuitivas, o poeta revela a busca constante por aproximação da felicidade — simbolizada pelo pequeno bolim. Amores e dores são arremessados na pista do tempo, onde todos se dizem mestres, mas permanecem aprendizes. “Bocha” é um retrato sensível das disputas, esperanças e frustrações que marcam nossa trajetória, lembrando que viver é, sobretudo, tentar chegar o mais perto possível do sentido de ser feliz.

Somos ponteiros e atiradores
atiramos dores e amores
num ponto, com determinado fim.
Por anos inteiros
tentamos na vida o fado
de vencer no bocha,
acariciar bolim.
Lutamos para próximo ficar,
enfim,
da pequena esfera.
Com relativo medidor
e a intuição,
bolas brancas e vermelhas
na pista de chão de areia,
pomo-nos a comparar
quem está mais perto,
ou mais longe,
de ser feliz.
Cada um é aprendiz
mas diz-se mestre.
Apostamos cervejas,
sentimos inveja
a cada lance de sucesso.
Com violência,
as bolas próximas
de nosso objetivo arrancamos.
E, às vezes, decretamos,
o fim
de nossas esperanças
de mudança da realidade,
nos braços do bolim
da felicidade.

Declamação

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