BOCHA

No poema “Bocha”, o jogo simples da vida cotidiana transforma-se em profunda metáfora da existência humana. Entre bolas lançadas, medidas imprecisas e estratégias intuitivas, o poeta revela a busca constante por aproximação da felicidade — simbolizada pelo pequeno bolim. Amores e dores são arremessados na pista do tempo, onde todos se dizem mestres, mas permanecem aprendizes. “Bocha” é um retrato sensível das disputas, esperanças e frustrações que marcam nossa trajetória, lembrando que viver é, sobretudo, tentar chegar o mais perto possível do sentido de ser feliz.
Somos ponteiros e atiradores atiramos dores e amores num ponto, com determinado fim. Por anos inteiros tentamos na vida o fado de vencer no bocha, acariciar bolim. Lutamos para próximo ficar, enfim, da pequena esfera. Com relativo medidor e a intuição, bolas brancas e vermelhas na pista de chão de areia, pomo-nos a comparar quem está mais perto, ou mais longe, de ser feliz. Cada um é aprendiz mas diz-se mestre. Apostamos cervejas, sentimos inveja a cada lance de sucesso. Com violência, as bolas próximas de nosso objetivo arrancamos. E, às vezes, decretamos, o fim de nossas esperanças de mudança da realidade, nos braços do bolim da felicidade.
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